A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Acre –COOPERACRE foi fundada em dezembro de 2001, atualmente congrega 36 pessoas jurídicas que representam mais de 2.400 famílias localizadas nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre e Purus. A Cooperacre tem como missão organizar, representar, garantir a sustentabilidade da produção extrativista, agregar valor aos produtos, promover a igualdade social e econômica, respeitar os valores das populações tradicionais e os princípios da preservação da floresta.
     A Cooperativa tem com área de atuação as regionais do Alto Acre formada pelos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia e Xapuri, onde inclusive está concentrada a maior produção extrativista do Estado do Acre; regional do Baixo Acre constituída pelos municípios de Acrelândia, Porto Acre, Plácido de Castro, Senador Guiomard, Capixaba, Rio Branco e Bujari; e a regional do Purus que contempla os municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus.
     Atualmente, a Cooperativa é uma beneficiaria de um projeto apoiados pelo Fundo Amazônia, no qual o BNDES concede a Cooperacre, por meio do Contrato de Concessão de Colaboração Financeira não Reembolsável nº 14.2.0865.1, no valor de R$ 5.081.703,00 (cinco milhões, oitenta e um mil, setecentos e sessenta e três reais), destinados a contribuir para o fortalecimento das cadeias de castanha-do-brasil e de polpa de fruta, no Estado do Acre, por meio: i) da recuperação de áreas degradadas e/ou alteradas localizadas em pequenas propriedades ou posses rurais familiares; ii) da otimização da logística de armazenamento de castanha-do-brasil e do transporte de frutas; iii) da melhoria do processo de beneficiamento da castanha-do-brasil; iv) da agregação de valor e diversificação dos produtos; v) da melhoria da estratégia de comercialização dos produtos; e vi) da capacitação da rede de filiados. A seguir, serão apresentados os nove componentes do projeto:
 
1- Otimização do armazenamento da Castanha – do -Brasil in natura e do transporte e acondicionamento de frutas
   Com o apoio do Fundo Amazônia foi possível a ampliação da capacidade de armazenamento da castanha-do-brasil e das condições adequadas para o transporte de frutas. Com a implantação de 2 armazéns comunitários de 15 ton cada para armazenamento e secagem da castanha uma na associação Fé em Deus (PAE Chico Mendes, Seringal Cachoeira, Colocação Chora Menino, Epitaciolândia, AC) e o outro na ASPAFA (Seringal Floresta, Colocação Rio Branco, Reserva Chico Mendes, Xapuri, AC).
a) Armazém construído com apoio do Fundo Amazônia na Associação Fé em Deus. 

b) Caixas de propileno para armazenamento, e transporte de frutas in natura.


 2 – Fortalecimento da Certificação Orgânica da Castanha – do – Brasil
     O processo de certificação da castanha que a Cooperacre detém, além da valorização do seu produto, é tido como a representação dos ideias trilhados pela cooperativa com base no desenvolvimento sustentável, aliando a geração de renda, socialmente justo, e ambiental correto.
     Com a Abertura de novos mercados a partir da ampliação o volume de castanha-do-brasil com certificação orgânica. O apoio pelo Fundo Amazônia ampliou o número de comunidades certificadas, de 07 agora são 14 associações, e consequentemente aumento do volume de castanha certificada. Além disto, é realizada oficinas para a disposição adequada de resíduos e possíveis contaminantes nas comunidades.

b) Lote de Castanha-do-Brasil Orgânica in natura

b) Certificado de produto orgânico da Cooperacre para o ano 2017

3 - Recuperação de áreas degradas e/ou alteradas em colocações de famílias associadas, localizadas nas regionais Alto Acre, Baixo Acre e Purus
     Com o intuito de recuperar áreas degradadas ou alteradas através da implantação de sistemas agroflorestais nas colocações de famílias associadas à Cooperacre localizadas nas diferentes regionais. Prevendo a implantação de plantio consorciado (sistemas agroflorestais) de frutíferas, castanheiras, seringueiras, lavoura branca e adubo verde em áreas degradadas ou alteradas em propriedades rurais de extrativistas e produtores familiares, como incremento a produção de fruta para polpa, castanha e látex.
     A meta é recuperar 300 ha, ao longo dos três anos, por regional. Atualmente estamos com 536,52 ha, atendendo 264 produtores, com estimativa de fechar as 300 ha até final de 2017, com acompanhamento das atividades pela equipe de ATER do projeto.
    Espera-se que o plantio previsto neste projeto venha a suprir falta de matéria prima (borracha) para abastecer a indústria de GEB e também a agroindústria de polpa de frutas.

 
4 – Estruturação de Serviços e Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER)
     Fortalecimento da prestação de serviço de ATER diferenciada e integral, contemplando aspectos produtivos e de gestão administrativa e financeira das associações na região Alto Acre. 
     A prestação de serviço de assistência técnica e extensão rural prevista realizada para filiados da cooperativa envolvidos diretamente nas ações do projeto, acompanhamento e orientação para o planejamento, implementação e gestão dos processos produtivos (plantio, boas práticas, colheita e escoamento da produção), além do acompanhamento das associações e cooperativas filiadas, apoiando a adoção de procedimentos e práticas alinhadas com a gestão administrativa e financeira da central e organização de banco de dados sobre as famílias.


5 - Otimização do processo de Secagem e da geração de energia térmica para a produção de Castanha – do – Brasil
     Estes processos promovem a melhoria da qualidade e a ampliação da capacidade de secagem no processamento industrial da castanhas-do-brasil na Usina de beneficiamento em Brasiléia. Com o apoio do Fundo foi feita a substituição de estufas de secagem de castanha, com capacidade de secagem de 1500 kg em 16hs, que além da eficiência, representa a possibilidade de melhor qualidade da castanha, que pode rançar se o processo de secagem for longo. 
     Além disto, foi implementado a geração de energia utilizando resíduos do processamento industrial da castanha-do-brasil (casca) para funcionamento dos equipamentos na Usina de processamento de castanha em Rio Branco. Com a instalação da briquetadeira, é realizada a utilização de resíduos do processamento industrial da castanha-do-brasil para confecção de briquetes de alto poder calorífico. Congregando diversos atributos positivos, com alta eficiência (densidade energética de 3.620.211 kcal/m³), otimização do transporte e armazenamento (1m³ ouriço ou briquete/3 m³ lenha), ao mesmo tempo que soluciona a questão do descarte deste resíduo.




6- Desenvolvimento de estudos de mercado
Tem como objetivo promover o acesso a diferentes mercados, a partir da diversificação da produção, orientada por estudos de mercado que qualifiquem a demanda.
O estudo tem como base o mercado exterior para os produtos: castanha, polpa de açaí e borracha. Os estudos provem uma análise das condições e da relação custo/benefício das decisões a serem tomadas, referentes a países chaves.



7 – Formação e Capacitação
    Promove a sensibilização, a formação e a capacitação da equipe de ATER, das diretorias das associações, e das famílias. Através da Contratação de consultorias para capacitação na gestão administrativa financeira.
   Promove o alinhamento e definição de procedimentos entre o funcionamento das inovações no sistema de gestão administrativa e financeira da COOPERACRE e as necessidades de ajuste na gestão administrativa e financeira das associações e cooperativas filiadas à rede. Como também, a realização de cursos de Formação em agrofloresta para equipe técnica e representante das associações.

8 - Comunicação e Marketing 
     Com o apoio do Fundo, foi possível implementar estratégias de comunicação e marketing fortalecendo imagem de produtos oriundos do extrativismo e agricultura familiar. Como estratégias de melhoria da qualidade no fluxo de informação, difundindo referenciais técnicos relativos a produção e a gestão administrativa e financeira na rede de associados.
9 - Gestão do Projeto
     Promove o encadeamento das ações, link entre os subprojetos, encontros com a diretoria da COOPERACRE para troca de informações. Um gestor que realiza a prestação de contas, monitoramento, elaboração de relatórios e supervisão das atividades, e ainda será o contato com o financiador e com a COOPERACRE. Contando com consultoria para realização de 03 auditorias internas durante o período de execução do projeto, para acompanhamento da aplicação de recursos. 


  • COMPARTILHE: